quinta-feira, março 10, 2005

Mutilação Genital Feminina

A psicóloga Yasmina Gonçalves lança em livro, amanhã, um estudo sobre Mutilação Genital Feminina (MGF). O livro é constituído por uma parte teórica, na qual se explica em que consiste a MGF, e por um inquérito realizado em 2003, junto de profissionais de saúde.

Na perspectiva da autora, este problema deve ser “amplamente” abordado em Portugal - considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como país de risco, devido às comunidades de imigrantes. Contudo, o assunto é pouco debatido e considerado como tabu, sendo que a sociedade em geral desconhece o problema.

As comunidades que praticam este tipo de mutilação argumentam que se trata de uma tradição que deve ser cumprida. Para contrariar esta situação, a psicóloga defende a criação de acções de sensibilização junto dos líderes, “que passam a mensagem”.

"A primeira reacção das pessoas quando se fala deste assunto é de choque por se tratar de um atentado aos direitos humanos, mas temos que perceber o que está por detrás do ritual de aprendizagem (...) que tem também aspectos muito importantes". Neste sentido, a psicóloga realça a importância de “aproveitar o lado bom das tradições e mudar o lado negativo, que, no que diz respeito à Mutilação Genital Feminina, tem consequências devastadoras para as mulheres e crianças submetidas a esta prática".

O estudo revelou que, num total de 151 respondentes, 6% dos profissionais nunca ouviram falar do problema. Contudo, 15% tinham conhecimento desta prática em Portugal; 17% já assistiram mulheres mutiladas; e a 1% já lhes foi pedido para realizar a mutilação genital.

A investigação revela ainda a lista dos países onde a MGF atinge um maior número de mulheres e crianças: Djibuti e Somália (98%), Etiópia e Serra Leoa (90%), Sudão (89%), e o Egipto, a Gâmbia e o Mali (80 por cento).

A mutilação genital feminina afecta cerca de dois milhões de raparigas por ano. Entre 100 e 130 milhões de mulheres já foram submetidas à MGF, a maioria sem qualquer anestesia ou instrumentos esterilizados.

Fonte: www.rtp.pt