quinta-feira, março 10, 2005

Mulheres assumem posições conservadoras

Uma investigação realizada pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa demonstrou que mais de 80% das mulheres portuguesas não procura repartir de igual modo as tarefas domésticas com o companheiro. O estudo, intitulado "Famílias no Portugal Contemporâneo" foi realizado entre 1997 e 2005.

A partir da década de 80, assistiu-se a uma crescente "privatização dos comportamentos familiares". As mulheres passaram a dar cada vez menos importância "a factores de regulação externa", entre os quais a pressão das normas instituídas para o casamento. Tem-se vindo a verificar, desde então, um fortalecimento de um modelo de casamento "companheirista", acompanhado por uma maior aceitação do divórcio e por uma maior adesão à igualdade conjugal.

Contudo, e apesar desta crescente modernização, a investigação revela que existe uma "proporção considerável de mulheres" que assume posições conservadoras no que respeita aos "valores da conjugalidade". Cerca de um terço caracteriza o divórcio como sendo "muito difícil", e uma em cada cinco considera que a igualdade em termos profissionais é "indesejável".

Cada vez mais, as mulheres procuram conciliar "o desejável e o possível", aquilo que desejam e aquilo que procuram concretizar.

Segundo os investigadores, esta questão da igualdade assume um papel importante no desgaste de alguns aspectos institucionais do casamento.

Fonte: http://sic.sapo.pt/