quinta-feira, fevereiro 24, 2005

Discriminação-actividades femininas mal remuneradas

A discriminação salarial é uma realidade. Segundo dados do Eurostat, na U.E., os salários auferidos pelos homens são mais elevados. Os números apresentados revelam que em 2003, as mulheres portuguesas recebiam menos 9% por cada hora de trabalho, relativamente ao valor ganho pelos homens. Apesar deste resultado, Portugal é, ainda assim, o segundo Estado membro da U.E., onde a diferença salarial entre homens e mulheres é menor.

A evolução no sentido da iguladade salarial não tem sido entusiasmante, pelo que a média de diferenciação em Portugal caiu apenas de 10% em 1994, para os 9% em 2003.

Como afirma Maria Odete Filipe, do Departamento de Igualdade da CGTP, "as mulheres não têm acesso a todas as profissões e as actividades predominantemente masculinas são mais bem remuneradas".

A discriminação é, também, visível a nível hierárquico. A grande maiora dos cargos de chefia e de direcção são ocupados por homens. Um relatório europeu sobre a igualdade dos sexos, divulgado a semana passada, revela que nas 50 maiores empresas públicas portuguesas, os corpos dirigentes eram, no ano transacto, maioritariamente constituídos por elementos do sexo masculino (94%), contra os 6% ocupados por mulheres.

Paula Esteves, coordenadora da Comissão de Mulheres da UGT, sublinha a importância da assinatura de contratos colectivos de trabalho, como salvaguarda da igualdade salarial. A alteração da mentalidades, quer de empregadores como também dos próprios trabalhadores, é fundamental para a clarificação e consciencialização dos direitos vigentes.

Face a esta situação, a União Europeia já se comprometeu a reduzir substancialmente a diferenciação patente, até 2010.

Fonte: http://jn.sapo.pt/2005/02/20