quarta-feira, janeiro 19, 2005

Victoria de Los Angeles

Mundo operático perde a sua diva

A ópera está de luto...
Victoria de Los Angeles faleceu no passado Sábado, aos 81 anos, vítima de problemas cardíacos e respiratórios. A cantora, que sofria de bronquite, encontrava-se internada numa Clinica de Barcelona, desde o dia 30 de Dezembro, e estava em estado de coma há vários dias. O eu funeral teve lugar no passado Domingo, na Basílica de Santa Maria del Mar.
A cantora viu o seu talento reconhecido quando ganhou um concurso na Rádio Barcelona.
Em 1941, Victoria de Los Angeles estreia-se num concerto profissional, no Palau de La Música. Quatro anos mais tarde, a cantora estreia-se no teatro lírico, no Liceo de Barcelona, cantando o papel de Condessa na ópera “As Bodas de Fígaro”, de Mozart.
O Concurso Internacional de Genebra, do qual se sagrou vencedora, abriu-lhe as portas para o mundo, permitindo que a sua frescura da sua voz fosse apreciada e reconhecida internacionalmente.
A cantora encantou o mundo com a grandeza da sua voz, ao longo de cinco décadas. Vinte e duas óperas, quarenta álbuns com recitais a solo e compilações diversas, integram o seu currículo.A crítica internacional premiou, por diversas vezes, as suas interpretações, nomeadamente, as duas versões de “Madame Butterfly”, de Puccini, “Manon” e “Werther”, de Massenet. Na sua longa carreira destacam-se, também, as interpretações memoráveis de “La Bohème”, de Puccini e “Carmen”, de Bizet.
Victoria de Los Angeles notabilizou-se, sobretudo, pelas interpretações de compositores franceses e espanhóis, pelo que é vista como “embaixadora da cultura espanhola no mundo”.
O seu magnífico talento valeu-lhe diversas condecorações, nomeadamente a Medalha de Ouro do Liceo de Barcelona, o Prémio Nacional de Música e o Grande Prémio da Academia Francesa. Victoria recebeu, ainda, a Medalha de Ouro da Cidade de Barcelona e o Prémio para as Artes da Fundação Príncipe das Astúrias.
Em 1998, após a morte de um dos seus filhos, Victoria de Los Angeles afastou-se dos palcos que, outrora, encheu de vida.

Fonte : Público, 16-01-2005