quarta-feira, dezembro 08, 2004

Mulheres, as primeiras vítimas de guerra

O relatório lançado, hoje, pela Amnistia Internacional conclui que as mulheres são as primeiras vítimas de guerra.

Segundo este relatório, baseado em conflitos armados ocorridos na última década, “os corpos das mulheres , a sua sexualidade e as suas faculdades de procriação tornam-se muito frequentemente um campo de batalha real”. O uso da violação como arama de guerra, é, na perspectiva da Amnistia Internacional, “a manifestação mais evidente e mais brutal da maneira como os conflitos armados afectam a existência das mulheres”.

Irene Khan, secretária-Geral da A.I.; citada pelo “Público”; afirma que as mulheres são vistas como “a máquina redutora do inimigo”, acrescentando que o ataque às mulheres é “uma estratégia militar” pois entende que “se se atacam as mulheres, está-se a atacar a moral do inimigo e a humilhar não só as mulheres, como os homens, que falharam em proteger a sua honra”.

A violação contra a dignidade das mulheres é uma realidade que se mantém actual e repetitiva em cenários de guerra. São vários os exemplos de países onde as mulheres são violadas, quer por parte de guerrilheiros isolados, quer por soldados comuns, nomeadamente Colômbia, Nepal, Índia, Tchetchénia, República Democrática do Congo. Consideradas “presa fáceis”, as mulheres são, frequentemente, submetidas às mais terríveis atrocidades, sendo, por exemplo, esventradas como aconteceu no estado indiano de Gujarat, ou sequestradas e transformadas em escravas sexuais, tal como foram sujeitas dezenas de milhar de mulheres, no Congo.

De acordo com a A.I. “80% dos 40 milhões de refugiados no mundo são mulheres e crianças”. Porém, “muitas vezes estes não têm o direito à palavra”. Neste sentido, a .A.I.,a maior organização de direitos humanos do mundo, apela a uma maior participação real das mulheres nos processos de Paz.

Fonte: Público