sábado, novembro 20, 2004

Ruanda - Esther Mujawayo relembra o genocídio

"As pequenas injustiças conduzem às grandes, e as grandes levam ao genocídio."
Esther Mujawayo

Tentar compreender crimes bárbaros e hediondos pode ajudar a perceber o rumo dos acontecimentos que lhes deram origem, mas nunca os justifica!

O Ruanda é um caso flagrante da malvadez de certos seres humanos. O genocídio que ocorreu neste pequeno país do planalto central africano, começou no dia 7 de Abril de 1994. Em apenas cem dias, um milhão de tutsis foram exterminados. Mais uma vez, a causa deste massacre resume-se à raça das vítimas, que não tiveram a sorte de nascer na raça “certa”. É arrepiante e inadmissível. Porém, reflecte a realidade!

De entre os cerca de trezentos mil tutsis que conseguiram sobreviver, destaca-se Esther Musawayo. Sempre empenhada na sua luta pelas vítimas do genocídio, preside a Associação Avega que agrupa mais de 25 mil viúvas.

Actualmente, 43 por cento das mulheres ruandesas são viúvas e milhares delas estão a morrer de Sida, voluntariamente transmitida através de violações a que foram sujeitas, como forma de vingança.

Esther Musawayo assistiu à morte de muitas delas. A sua dor fá-la empenhar-se na luta por estas vítimas.

A psicoterapeuta procura, com o seu movimento, encorajar as vítimas de violações a prestarem testemunho perante o Tribunal Internacional. Todavia, revela-se indignada perante a falta de sensibilidade, por parte de juízes e advogados, que se recusam a compreender a dificuldade que estas vítimas têm em falar do sofrimento que as assolou e que ainda hoje as atormenta. E, o que mais a revolta é o financiamento da terapia médica dos violadores, por parte do Tribunal, enquanto que as vítimas que necessitam de tratamento médico, morrem devido à impossibilidade de o pagar!

Face a tal situação de injustiça, Esther afirma "este genocídio não acaba nunca, assim é difícil recomeçar a vida...".


Fonte : Revista “Notícias Magazine” do “Jornal de Notícias”