sexta-feira, novembro 19, 2004

Mísia condecorada uma vez mais

A fadista Mísia vai ser condecorada hoje, pela segunda vez este ano, em França.
Se em Janeiro, França a condecorou com a "Ordre de Chevallier des Arts et des Lettres", entregue pelo (então) Ministro da Cultura, Jean- Jacques Aillagon; hoje é o presidente da Câmara de Paris, Bertrand Delanoë, que distingue a cantora com a Medalha Vermelha da cidade.

Num país que a segue fielmente, são muitos os comentários e as críticas a cantores portugueses. Não se poupam tomadas de partido por esta ou aquela fadista: a "voz carnal, a raiva, a garra" de Mariza, a "sinceridade em carne viva" de Cristina Branco, a "sóbria dor lancinante" de Mísia, são frases frequentes em jornais como Le Monde ou La Libération ou o semanário Télérama.

Mesmo assim, a cantora não deixa de lembrar: “o meu público em Portugal é aquele que mais me acarinha, e aquele a que dou mais valor. (…) Na primeira vez que cantei em França, em 1996, foi na 'Maison des Cultures du Monde' e só havia franceses na sala", afirma a fadista. Já hoje, os portugueses que enchem “quase só eles as minhas salas, tive eu de os ganhar a pulso. Com a aura de 'fadista intelectual' - que não sou! - tenho tido de demonstrar que pelo facto de cantar José Saramago, ou Agustina Bessa Luís, não quer dizer que seja uma pessoa distante."

Relativamente à condecoração, a cantora esclarece: "Claro que aprecio estas homenagens. Como qualquer artista, gosto que gostem de mim. Mas dou o mesmo valor a estas condecorações como às palavras de incentivos que me possam dizer espontaneamente na rua".